Sick Love

Outubro 17, 2007

 

O filme O Passado – o 9º e melhor longa de Hector Babenco – abre a 31º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo no dia 18 de outubro. A história é baseada no romance homônimo do argentino Alan Pauls. No elenco, o mexicano Gael Garcia Bernal interpreta o tradutor Rímini. Analía Couceyro – cujo habitat natural é o teatro – surpreende ao traduzir com competência a angústia amorosa desmedida da personagem Sofia. Há ainda a pequena, porém brilhante e definitiva participação de Paulo Autran, que rouba a cena na pele de um palestrante francês. Apesar de não ser uma tradução literal do livro, as duas obras tratam do amor obsessivo, que impede que duas pessoas sigam suas vidas após o término do relacionamento de 12 anos. Em entrevista a este blog o escritor e crítico de cinema Alan Pauls, ganhador do prêmio Herralde, concedido para livros de ficção em língua espanhola, fala sobre o filme e sobre o amor febril.

 

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A personagem de Sofia cria a associação das Mulheres que amam demais anônimas (MADA). Você conhecia esse grupo antes de escrever o livro?

Quando escrevi meu romance não sabia que essas mulheres realmente existiam, que isso era uma patologia. Apenas imaginei um grupo de mulheres que sofriam pelo excesso de amor e resolviam se reunir para compartilhar esse mal. Na minha história elas são como uma célula de terrorismo emocional. Hoje entendo que as minhas MADA são o oposto das verdadeiras. Minhas personagens acreditam que devem levar o amor até as últimas conseqüências. Que não devem moderar nem reprimir os sentimentos. As mulheres reais tentam corrigir as quantidades, tentam amar menos. Minhas meninas são amazonas do amor. Fazem de tudo para mostrar a seus homens que não há nada no mundo que se compare ao amor que elas podem oferecer.

Você já passou por uma situação de amor obsessivo?

Nunca fui vítima de nenhuma MADA, mas já sofri muito por amor como qualquer pessoa nesse planeta. Creio que o amor é uma paixão insalubre, como toda a paixão verdadeira. E quando esse amor acaba duas novas histórias se formam no imaginário de cada um dos amantes. Do homem e da mulher. Umas mais tristes do que outras.

Você acha que existem homens que amam demais?

Não tenho dúvidas. A única diferença é que nenhum deles vai ter coragem de te confessar isso.

O seu livro é quase obsessivo na descrição dos detalhes. O zoom usado por Babenco é a técnica equivalente para retratar a história e traduzir a angústia dos personagens?

Sem sobra de dúvidas. As histórias não são idênticas, mas meus livros tem muito de cinema. Gosto de usar as plataformas, as técnicas cinematográficas, mais do que o texto quando penso em escrever. E ele entendeu.

 

Uma Resposta para “Sick Love”

  1. fe disse

    quero muito ver esse filme. vc tem o livro, ká? me empresta?

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