O nome do caos - Bruno 9li

Novembro 16, 2007

 Bruno 9li, 27 anos, é o autor da imagem caótica abaixo. Um dos nomes promissores da novíssima geração das artes plásticas, o cearense que viveu em Porto Alegre desde os três anos e estudou na School of Visual Arts de NY mora em São Paulo há seis meses. Em entrevista a esse blog, ele fala sobre sua produção e apresenta o mais novo trabalho Tormenta.

 bruno-9li.jpg

Você lembra qual foi o primeiro desenho que fez na vida?

Não. Mas lembro de desenhar meus colegas de aula em um

caderninho. Procurava ressaltar o que havia de mais

estranho em cada um.

Como você descobriu que queria ser artista plástico?

Não descobri. Tudo foi acontecendo devagar. Hoje vivo do meu trabalho autoral.

Quais suas referências artísticas?

Aqui vai um pouco do que ajuda a construir meu imaginário:

Princípios Herméticos, Ocultismo, mutação,

espaçonaves, evolução espiritual, 4ª dimensão, fogo, o

que é natural, sobrenatural, Caos, mitologia, renascimento,

expansão da consciência, antenas, satélites, arte Maia,

arte Egípcia, Art Nouveau, Arte e arquitetura Gótica,

animais, plantas exóticas, simetria e assimetria, sons de

pássaros e imagens alquímicas.

Pintores e outros visionários: Robert Fludd, Bosch, Albrey

Beardsley, Rammellzee, Farnese de Andrade, HP Blavatsky,

Krishnamurti, Nietzsche, Mestre Irineu Raimundo Serra.

Quais seus materiais prediletos para o trabalho?

Canetas permanentes, acrílica e nanquim em papel. Latex,

rolinho e pincel para as paredes.

Conte um pouco da sua trajetória e próximos projetos?

Tudo começou com desenho. Amigos muito próximos e eu

costumávamos nos encontrar para desenhar. E tudo surgiu

daí. Quando comecei a mostrar meu trabalho na internet

passei a ter muito mais retorno, e depois que meu trabalho

começou a ser publicado em revistas internacionais muita

coisa mudou. Já mostrei meu trabalho na Bélgica, Itália,

Barcelona e Estados Unidos. Hoje trabalho para minha

próxima exposição individual na califórnia e em projetos que vão

começar a ser publicados em janeiro de 2008.

Onde você cria?

Divido um estúdio com um amigo em São Paulo.

É possível viver de arte no Brasil?

Sim, mas não somente no Brasil.

Em quais jovens artistas devemos ficar de olho?

Talita Hoffman, Wagner Pinto, Geraldo Tavares, Emerson

Pingarilho, Carla Barth e outros tantos que já tem um

trabalho bastante consolidado e valorizado.

Você grafita? Podemos ver obras suas nas ruas de São Paulo?

Gosto de pintar na rua, mas depois de ter duas vezes uma

arma apontada na minha cabeça pela polícia, optei por

pintar mais calmamente em muros grandes. O último mural

que fiz está na frente do Rojo®artspace em São Paulo, em

Pinheiros.

Fale um pouco sobre a exposição Tormenta.

Tormenta é uma série de 14 desenhos que criei para a

exposição individual que realizei em Barcelona a convite

da editora espanhola Rojo®. Prefiro sempre criar séries

de desenhos, assim posso desenvolver um imaginário mais

denso e consistente a cada produção. É como num livro,

ou filme, existem personagens, capítulos que compõem uma

idéia maior. Assim cada desenho representa uma situação

fantástica que desenvolvo na minha mente. Em Tormenta,

procurei criar desenhos mais intensos, mais carregados em

preto e com espaços mais preenchidos, sem muitas linhas

retas e mais traços fortes e tortos. Imaginando o processo

de produção de cada série como uma seqüência de algo

maior que será construído com o passar dos anos. Para

Tormenta, que basicamente representa o caos interno em cada

um de nós, a força vital e invisível é o que nos move. Só

acreditava que cada trabalho deveria vibrar intensamente e

ter autonomia para se sustentar como imagem. Penso que

enquanto andamos pela rua e respiramos calmamente, por

exemplo, a terra ferve por dentro e uma força

inexplicável e invisível nos movimenta e nos impulsiona

para o desconhecido. Tormenta é uma espécie de reflexão

sobre isso, sobre as forcas invisíveis que se manifestam

constante mente em nossas vidas. Uma frase de Hakim Bey pode

resumir bem a idéia por traz dessa minha mais recente

produção “ O Caos nunca morreu”. Hoje a exposição

desses 14 originais que produzi recentemente estão em

exposição na galeria Pop, em São Paulo.

Vai lá: Galeria Pop – Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 3081-7865

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