Festival Canavial - Parte 3
Dezembro 20, 2007

Monumento ao Maracatu na entrada da cidade de Nazaré da Mata - PE
No fim da tarde daquela última sexta feira de novembro, até as formigas que atravessavam a estrada que corta a zona da mata pernambucana em direção ao canavial mudaram o percurso. O destino era o sítio Chã de Camará, onde acontecia o Festival Canavial 2007. Quando chegamos - eu e as tanajuras - assustei com a infinidade de brilhos e cores por todos os lados. Os caboclos de lança – aquela figura que vem a sua cabeça quando eu falo a palavra maracatu – vestiam suas golas bordadas por adolescentes locais. Um trabalho que exige paciência e habilidade manual, muito diferente do ofício que alguns deles exerciam nas plantações de cana. Os amigos ajudavam os brincantes a vestir a estrutura pesada e repleta de sinos que fica por baixo da gola e é a responsável pelo som quando eles se movimentam.

Meninos bordam gola dos guerreiros de lança

Brincante se concentra antes de dançar o Maracatu
Das 19 ás 10:30 da noite oito grupos de maracatu se apresentaram. Uma infinidade de apitos, sinos, batuques e ….cachaça, claro! A bebida animava o povo, que para não exagerar no fogo forrava o estômago com vaca atolada e caldinho de camarão, o menu oficial da noite.

Maracatu Estrela de ouro se ajoelha para Mestre Zé Duda
O anfitrião da festança, o Maracatu Estrela de Ouro, foi o último a se apresentar. Depois de sete desfiles, eu já não acreditava que pudesse me surpreender com alguma coisa, mas quando os caboclos se ajoelharam para Mestre Zé Duda cantar, entendi porque o cara é um dos mais respeitados comandantes do furdúncio pernambucano. 62 anos, 58 carnavais nas costas e comandante de um exército de 160 homens e mulheres ele já fala em deixar o posto, mas ainda não encontrou um substituto a altura.

Mestre Zé Duda

Mestre Zé Duda em ação
Depois das apresentações dos Maracatus a noite ainda teve shows memoráveis como o do Mestre Salustiano. Não conhece? O sujeito é chamado de Mestre Salu e é filho de um dos maiores rabequeiros do país, seu João Salustiano. O cara inspirou artistas como Antônio Nóbrega, Chico Science e Mestre Ambrósio. Mas o ponto alto ainda estava por vir. O colorido que tomava conta do evento foi substituído pela sóbria camisa preta do saxofonista Spok, da SpokFrevo Orquestra, que tocou com o bandolinista pernambucano Marcos César. O que se viu foram arranjos modernos para choros e muito improviso, a marca registrada do artista. Ao lado deles, uma banda com cavaquinho, pandeiro e outros instrumentos de percussão. Frevo e choro com pegada de jazz, para gente que calçava havaianas e prestava atenção com a mesma dignidade e mais animação do que o público de terno e gravata que presenciou o músico no TIM Festival 2005 em São Paulo.

Maestro Spok, Marcos César e gringo do jazz
Objeto do desejo
Dezembro 17, 2007

Para comemorar os 100 anos de Victor Hasselblad, a a marca que leva seu sobrenome desenvolveu uma edição limitada da médio formato mais famosa do mundo, a 503CWD, em versão digital. O clássico dos anos 50 já está no mercado e todas as peças são numeradas e assinadas.
Mad Christmas!
Dezembro 15, 2007

Capa da revista Mad de dezembro. Paris Hilton, Nicole Richie, Britney Spears, Lindsay Lohan comemoram depois de brigar pelo peru e falir o Papai Noel.
Smells like 60`s
Dezembro 14, 2007
Na RS desse mês:
Em meio à leva inesgotável de novas bandas inglesas de calça agarrada e moletom de capuz, elas se destacam usando a fórmula das bandas pop da época como The Supremes, The Ronettes e The Crystals. O trio de cantoras Rosay, Becky e Gweeno - da cinza Brighton, na Inglaterra - canta estalando os dedos e fazendo caras e bocas com vestidos de bolinha e letras que falam das angústias da mulher moderna. “Mandamos fazer nossas próprias roupas inspiradas naquelas cantoras incríveis, mas com um toque atual e divertido. É tudo para o palco. Fora dele adoramos marcas sofisticadas como Marc Jacobs, Miu Miu e Chloé”, revelam. Ao fundo, a banda The Cassettes, usa pullovers com gola V e logotipo colegial. “Sem a banda, nós três não somos nada. Trabalhamos em conjunto e isso é o que nos diferencia quando os críticos falam que seguimos as Supremes. Na nossa banda não existe o esforço para promover uma só garota”, desabafa. “Ficamos surpresas com o sucesso porque não é fácil andar na contramão do mercado do mundo indie ou do monopólio do rap norte-americano. Mas acho que é justamente isso que vai fazer com que as Pipettes não sejam uma banda de sucesso relâmpago, como as que nascem e somem todos os dias no meu país. Nosso público é muito variado. Temos as riot girls, os meninos do British rock e até as nossas avós. Elas se acabam de dançar.”, conta Becky. As Pipettes estão em turnê, mas não tem previsão de shows por aqui. “Durante as viagens aproveitamos para ouvir muita música. Sou fan de Kathleen Hanna e respeito muito o trabalho de Dusty Springfield, mas no momento confesso que o que toca no meu iPod é Amy Winehouse, The Cardigans e CSS”. O primeiro disco da banda, “We Are The Pipettes” chega no Brasil em dezembro.
Fernanda Takai canta Nara
Dezembro 11, 2007
Fernanda Takai estréia na carreira solo com o álbum dedicado a Nara Leão “Onde brilham os olhos seus“. Em entrevista a esse blog, ela fala sobre o CD, o medo de tocar sem os companheiros do Pato Fu e a parceria com Ronaldo Fraga.
A dama do cabelo laranja vem aí
Dezembro 7, 2007
Minha diva fashion, Vivianne Westwood, chega ao Brasil em janeiro para festejar uma parceria com a Melissa. O produto ainda é segredo, mas alguns eventos estão programados para São Paulo.
Enquanto isso, fique com a coleção primavera/verão sexy e rock and roll de 2008.
He is not here. Yet!
Dezembro 7, 2007
Um passarinho (dos bons!) me garantiu que dessa vez o papo de Bob Dylan no Brasil é verdade. O tal do show que não chega nunca pode acontecer entre março e maio de 2008 no Auditório do Ibirapuera. Será que vai?
Festival Canavial - parte 2
Dezembro 7, 2007

Vem comigo. Volta pra Pernambuco. Pega a estrada que sai do aeroporto de Recife e sente o cheiro de cana durante o percurso em direção a zona da mata. Desliga o som do carro. Escute a mistura de sons que vem daquele verde. Uma cana batendo na outra. Centenas delas, milhares. Parece um som de mar. E ainda tem o barulho dos grilos que se mistura com a cantoria de um cortador que caminha descalço, no acostamento, enxada na mão. O festival começa assim. O dia nasce antes das cinco da manhã por lá. O povo trabalha desde muito cedo e ás 19h já começam a chegar no sitio que recebe a festa itinerante, o Canavial 2007.

O primeiro dia é mais voltado para os moradores locais. Uma espécie de incentivo aos projetos sociais que já salvaram muitas crianças do trabalho infantil e da prostituição. O assunto por lá não é brincadeira. Meninas que deveriam estar pulando amarelinha (as crianças ainda fazem isso?) se jogam na vida em troca de 4 reais. Triste. Alguns projetos oferecem a mesma grana que elas faturam de modo inadmissível para que os pimpolhos vivam a cultura local e produzam música, dança, literatura, fotografia, fantasias etc… A mais famosa das brincadeiras é o Cavalo Marinho, que faz parte da cultura Pernambucana e se você conhece, deve ser do carnaval. Ônibus e mais ônibus lotados de brincantes chegam numa animação de dar inveja. Olha só:





O segundo dia começou em ritmo de palestras, debates e rodas de discussão sobre os rumos da cultura e as raízes populares pernambucana. Os mestres de ciranda, maracatu etc… dialogavam com historiadores, produtores culturais e jornalistas. E a coisa foi acalorada. O principal ponto de discórdia, que silenciou os mestres da roda e fez professores se exaltarem foi a origem do maracatu. Quanto tem de africano, de índio e de português. Ficou claro que o papo estava teórico demais para quem comanda o processo. Mas lógico, tudo acabou em batuque. Durante a noite, o sitio foi invadido por brilhos e cores de todos os tipos. Brocados, lantejoulas, miçangas e fitas envergonhavam pobres mortais como eu que usavam all star e vestido de algodão sem uma gota de purpurina. O que eu confesso, não durou muito tempo….Até coroa de princesa do maracatu eu ganhei. Sente a nobreza do povo!

Fica por aqui….Amanhã tem mais.
Enfermeiras fashion by Marc Jacobs
Dezembro 4, 2007
Pausa para os comerciais. Jajá falo mais da jornada pernambucana. Enquanto isso fique com o mundo de fetiche que Marc Jacobs criou em Paris para a coleção primavera/verão da Louis Vuitton. Ao som de Daft Punk, dezenas de modelos vestidas de enfermeiras perambularam com as bolsas em mãos. Entre elas, Naomi Campbell. Apesar de eu não ser louca pela Vuitton, é sempre bom espiar o que um dos estilista mais disputados do mercado local anda aprontando.
Mas o que eu curti mesmo não estava nessa passarela. A marca criou uma linha de malas exclusivas para o filme The Darjeeling Limited. Já viu a produção? Não é incrível, mas tem um formato curioso, que dialoga com o curta Hotel Chevalier (sim, o que tem a Natalie Portman nua) , tem Adrien Brody e tomadas bem interessantes.
Maracatu Roots - Festival Canavial - parte 1
Dezembro 3, 2007
Direto da zona da mata de Pernambuco, onde o olhar só alcança plantações de cana, o céu são torrões de açúcar e a água, ardente… O Bush ficaria louco. Mas isso é outro assunto.

Aconteceu por aqui, na região de Nazaré da Mata, mais especificamente na cidade de Aliança um festival que eu arriscaria nomear como o verdadeiro indie nacional. O Canavial 2007. Eu ainda estou digerindo todas as cores que vi, mas aos poucos vou postar detalhes da festança. Pra começar, imagine o tal do canavial que não acaba nunca. Perdido em meio ao verde, uma grande lona de circo listrada e dois palcos. Um mais tímido, outro de grande porte. Isso tudo numa espécie de quintal de um sítio de chão de terra batida chamado Chã de Camará. A casa abriga um ponto de cultura do Maracatu Estrela de Ouro, um dos principais do Recife e ao lado dela, fica o terreiro de Umbanda, que protege os chamados brincantes. Para curtir qualquer uma das 40 atrações que incluem shows, palestras, mesas de debate e oficinas basta chegar. O público, cortadores de cana, trabalhadores rurais, pesquisadores e alguns poucos jovens de Recife e Olinda, não pagam nada.
