Call me Vicente. Vicente Cassel.
Maio 29, 2008
O ator Vincent Cassel (Ódio, Irreversível, Senhores do Crime) passou dois meses no Brasil ao lado da esposa/musa Mônica Belucci para gravar o novo filme de Heitor Dhalia, À Deriva. Depois de uma rápida passagem pela França, ele volta para apadrinhar a mostra PANORAMA DO CINEMA FRANCÊS NO BRASIL 2008, que acontece de 19 a 26 de junho, em SP (Reserva Cultural), e de 21 a 26 de junho, no Rio (Odeon Petrobras). Em português quase perfeito ele pediu para ser chamado de Vicente, falou sobre o trabalho no Brasil, cinema, pagode, La Belucci, surf y otras cositas más.

Como surgiu o convite pra fazer Á Deriva?
No ano passado eu fiquei nove meses envolvido em uma produção. Engordei 20 kg e foi muito complicado. Então, durante o trabalho eu sonhava em ir para o Brasil para relaxar. Ao mesmo tempo recebi uma proposta do Heitor, que eu já conhecia por ter visto O Cheiro do Ralo. Então eu li o roteiro antes de marcarmos um jantar em Paris. Quando ele disse que o filme seria rodado em Búzios eu pensei: já estou indo pro Brasil mesmo, porque não ficar mais tempo?
Qual foi a primeira vez que você veio pra cá?
Há vinte anos estive na Bahia para aprender a jogar capoeira. Nunca mais parei de vir.
Você ainda joga?
Não mais. Durante seis anos eu pratiquei quase todos os dias, até na França e em NY. Capoeira você tem que praticar sempre, senão complica. Depois de alguns anos eu voltei a praticar para gravar umas cenas de roubo em “Doze homens e outro segredo”. Foi uma sugestão minha ao diretor. Ele nem sabia o que era capoeira. Joguei pra ele no hotel e ele pirou.
Eu li que você comprou um apartamento no Rio de Janeiro. É verdade?
Não. Sempre que venho eu alugo. Arpoador, São Conrado, Ipanema…. Depende de quanto tempo eu vou ficar e de quantas pessoas vem comigo. Da última vez fora 20. Tinha que ser uma casa realmente grande. Sou quase um embaixador do Brasil.
Onde é a sua casa?
Depende. Minha noção de casa é diferente. Moro onde está a minha família. Londres, Paris, Roma…
Seu português é muito bom. Você aprendeu durante as viagens ou estudou?
Aprendi com os capoeiristas e os surfistas, na praia. Mas tive algumas aulas para o filme. A primeira vez que estive aqui só sabia falar “obrigado”. Gosto muito do português do Brasil.
Porque você acha que é tão escalado para papéis fortes, de bandido?
Os diretores adoram me colocar como malandro, gangster, ladrão. Mas acho que a culpa é minha porque gosto desse tipo de personagem. Não gosto de fazer filmes “normais”. Prefiro experimentar coisas diferentes da minha vida. Na França há a tradição da Nouvelle Vague, que trata da realidade burguesa, e eu nunca gostei desse tipo de filme.
O Heitor disse que esse filme tem influência de François Truffaut. Justamente o oposto do que você disse que gosta de fazer. Porque aceitou o papel então?
Porque é um filme brasileiro. A história tem uma pitada de saudade que na França não teria. Tem uma doçura típica do Brasil.
O filme fala dessa passagem para a vida adulta. De infância, de família e traição. Como foi a sua infância? O que marcou a sua passagem para a vida adulta?
Pra mim, a vida começa no fim da escola. Quando eu disse para o mundo que queria ser ator e que ninguém poderia me impedir. Antes disso fiz balé clássico durante seis anos, circo, tablado, fui acrobata. Morei em NY durante um ano e meio e trabalhei em tudo o que você pode imaginar. Fui até “bike messenger” em NY.
Que tipo de aluno você era na escola?
Muito bagunceiro. Fiquei muito tempo em colégio interno, e foi uma experiência muito ruim. Eu sempre cabulada aulas. Foi caótico. Eu só gostava de estudar línguas.
Você gostava de ler?
Gosto hoje, mas demorei a aprender. Foi uma coisa que veio com o trabalho de ator. Passei a gostar de ler quando aprendi que precisava estudar para os personagens. Eu era mais da parte física do que da intelectual. E ainda sou. Durante as filmagens, aqui em Búzios surfei todos os dias.
Você surfa faz tempo?
Na França eu só fazia bodyboarding com pé de pato. A primeira vez que tentei surfar mesmo foi aqui no Brasil, em Itacaré. Aquele lugar tem um astral maravilhoso.
Você faz viagens exclusivamente para pegar onda?
Muitas. Hawai, Bali, Portugal, Maldivas. Sempre que posso escapo pro mar. Depois do festival de Cannes vou alugar uma casa em Portugal e ficar quatro meses surfando por lá. Bem saudável.
Falando em saudável… Qual sua relação com as drogas?
Minha relação é nunca. Cresci em Paris, saía muito, freqüentava festas. Vi muita coisa, mas acompanhei amigos que se afundaram e isso veio antes que eu pudesse ter alguma vontade de provar. Nos anos 80 a heroína reinava e eu tive muitos problemas com pessoas que usavam isso. Tive sorte de ver o resultado antes de me ferrar.
Você era baladeiro?
Muito. Agora sou calmo, mas antigamente freqüentava a cena noturna de Paris. Era incrível.
Que tipo de música e de balada você curte?
Gosto de hip-hop e soul. Não escuto rock e nem música eletrônica. Nada. Aqui no Rio eu adoro funk e pagode.
Você foi parar no cinema através de convite ou batalhou em testes?
Fiz muitos e muitos testes. Na França é a TV é péssima. Nenhum diretor bom quer trabalhar na TV. Antes do cinema fiz espetáculos de circo na rua, e a rua é o teste de fogo do artista. O público é muito próximo e a química tem que rolar imediatamente. Se você passa pela rua já pode fazer qualquer coisa.
O cinema brasileiro está mais próximo do perfil Hollywoodiano ou do europeu?
Acho que não tem uma diferença grande entre esses dois tipos de cinema. A questão principal é sempre o dinheiro. Se você tem mais dinheiro, vai ter mais pessoas trabalhando, mas hierarquia, mais produção. Os EUA são famosos pelos grandes filmes de ação, grandes produções etc… Mas se você procurar, também vai encontrar filmes de arte. No Brasil é a mesma coisa.
Com qual diretor você ainda gostaria de trabalhar?
Fernando Meirelles, David Fincher, Stephen Frears,…
Não pensa no cinema oriental?
Gosto de ver filmes asiáticos, mas acho que o meu tipo físico não ajuda (risos). Fiz muitos filmes de ação, com luta e coreografia de kong-fu, mas acho que essa tipo de coisa foi uma fase da minha vida que já passou. Mas quem sabe o Jet Li me liga com um convite e eu aceito…
Já sabe quais são seus próximos trabalhos?
Eu nunca sei o que quero fazer. No momento estou produzindo um trabalho com um diretor jovem. Adoro fazer isso porque dá um outro ponto de vista sobre o cinema. A verdade é que não gosto de trabalhar sempre. Acho que não faz bem para a saúde. (risos).
Você tem filhos?
Tenho uma filha de 3 anos e meio. Aliás, Hoje ela surfou sua primeira onde comigo, na praia de Jeribá. Quero ter pelo menos mais um filho além da Deva. O nome dela significa deusa em sânscrito. Nada de muito especial! (risos).
Seu pai, Jean-Pierre Cassel era ator da Nouvelle Vague. Você cresceu dentro de sets de filmagem?Sim. Esse ambiente sempre foi muito natural pra mim. Ele foi uma estrela dos anos 60.
Ter um pai famoso te incomodou?
Ele foi uma espécie de herói pra mim, mas ao mesmo tempo, a fama dele trouxe complicações. As pessoas não respeitavam nossa individualidade, falavam conosco sem distanciamento, como se nos conhecessem. Mas isso me ensinou a lidar com a fama quando chegou a minha vez.
A Mônica e a sua filha sempre te acompanham durante as filmagens?
Elas estão aqui. Tentamos alternar períodos de filmagem ou até trabalhar juntos. Mas já aconteceu dela estar no Tibet e eu na França.
Onde você conheceu a Mônica?
Filmando. Todo mundo pensa que foi no Irreversível, mas foi muito antes.
Você é casado com uma das mulheres mais desejadas do mundo. É ciumento?
O ciúme só acontece quando existe um motivo de uma das partes. Somos amigos antes de tudo e até hoje ela nunca me deu nenhum motivo para sentir ciúmes de alguém que acha que ela é bonita etc…Estamos muito bem.
Run-DMC and the streetwear fever
Maio 28, 2008
Ops… Sorry a demora. Fui ver a praia e não voltei nunca mais.

Outro dia estava revirando umas bagunças em casa e encontrei uma fita (é, fita) do Run-DMC, que eu adorava. Então, para ficar na linha do post aí abaixo, vou lembrar aqui de como esses três caras – Joseph “Run” Simmons, Darryl “D.M.C.” McDaniels, and Jason “Jam-Master Jay” Mizell – influenciaram a moda da sua época.
Em meados dos anos 80 a MTV tomava força, as bandas faziam altas superproduções visuais, o clipe bombava e os negros ainda não eram os reis de vídeos milionários. Rolava um boicote. O Run- DMC quebrou todas essas regras, e os caras se tornaram os primeiros astros do hip-hop. No lugar de brilhos, maquiagem e cabeleiras armadas das bandas de rock, subiam nos palcos com as mesmas roupas confortáveis que usavam nas ruas. Jeans mais largo, jaquetas, moletom com capuz, camisetas pretas, tênis e chapéu, para fazer um estilo. E foi assim que o streetwear passou a ficar sob os holofotes. Lembra disso?
Na época, a Adidas não era fashion, mas era a marca preferida do trio. Tanto, que acabou virando a famosa música My Adidas. Foi então que a banda resolveu parar de fazer propaganda gratuita das três listrinhas e barganhou um milhão de dólares por ter transformado o nome da empresa em mania nacional. Em pleno show pediram para que o público que estivesse usando Addidas levantasse o pisante. Quase todos os presentes seguravam um. E o modelo Superstar (o branco de listras pretas tradicional) sem cadarço e com a língua para fora virou praga.
A parceria dura até hoje. Ontem, em São Paulo a Adidas fez festança para comemorar o lançamento do modelo que faz homenagem a Jam-Master Jay, na coleção Sounds of the City.

E para não ficar de fora, Rev Run também lançou o calçado Icon, da marca Run Athletics, de seu irmão.

Noite de autógrafos do Icon em Manhattan
The Supremes fashion show
Maio 20, 2008

Uma exposição cheia de glamour chega ao Victoria & Albert Museum de Londres. “The Story of The Supremes, from The Mary Wilson Collection” vai expor peças do arquivo pessoal da cantora, além de fotos, gravações e reportagens que traçam a linha de evolução visual do trio mais famoso da década de 60. Desde o início como The Primettes até o auge na Motown Records.
As Supremes ficaram famosas pelos modelos extravagantes e requintados, maquiagem dramática, cílios postiços enormes e cabelos trabalhados. Tudo isso graças a um programa de ‘Artist Development’, parecido com as escolas de charme de Hollywood. Maxine Powell ensinou as garotas a caminhar com elegância, comer com educação, sentar, falar em público, e claro, se vestir. Bob Mackie e Michael Travis foram dois dos principais responsáveis pelos vestidos cheios de brilhos. Até 19 de outubro.



Supla no Capão Redondo, antes e depois
Maio 14, 2008
Adoro artistas que são seus próprios assessores de imprensa. O dia que o Supla desistir de cantar, já tem emprego garantido. Olha só:
O telefone toca loucamente na redação. Estou ocupada, não quero atender. Mas o barulho continua…E continua…
-Oi Kátia, é o Supla tudo bem?
- Tudo certo, e você?
- Tudo bom. Seguinte, eu participei de uma matéria de vocês aí sobre comida, mas eu acho que tenho coisas mais interessantes pra falar. Novidades.
- A é? Como o quê?
-Eu e meu irmão temos um projeto.
- Isso não é novidade. Tô sabendo do Brothers of Brazil.
- A é? Nós fizemos uns shows na Europa e EUA. Foi ótimo. E amanhã vamos tocar no Capão Redondo antes de ir a Paris.
- Opa… Melhorou. Quer dizer…hahahaha Melhorou?
- Vamos fazer um show grátis num boteco. Não quer ir com a gente?
- Para Paris?
- Pro Capão.
- Boteco no Capão? Fechado.
E foi assim:
Bossa’n’roll
Supla e o irmão João levam o projeto Brothers of Brazil para o Capão Redondo – e sobrevivem às brigas no caminho, à platéia exigente e ao grand finale com papai Suplicy
Três dias antes de embarcar para um show em Paris e a caminho do Capão Redondo (na extrema zona sul de São Paulo) no fim de tarde de um sábado chuvoso, Supla e o irmão bossa nova João Suplicy não paravam de discutir. “Você esqueceu de pegar o CD de abertura do show, asshole”, bufava o punk. “Desculpa, eu estava atrasado”, respondia João em tom manso. O estilo quase oposto dos dois é o segredo do projeto Brothers of Brazil, formado no fim do ano passado, quando a dupla viajava por Londres. “Fomos ver o show dos Sex Pistols juntos. Acredita que esse louco não gostou?”, lembra Supla enquanto coloca Tom Jobim para tocar no carro. A banda já se apresentou em diversas cidades dos EUA e agora volta à Europa, onde já tem diversos shows marcados.
Naquela noite, no Rock Bar Capão – onde uma placa avisa ser proibido tocar pagode e axé –, eles usaram apenas violão e bateria. Apresentaram bossas nervosas inéditas, compostas pela dupla em uma mistura de inglês e português, Jorge Benjor e até Ramones, totalmente na faixa, para uma pequena multidão que se espremia até a calçada e cantava junto hits como “Japa girl”. No fim da noite, quem apareceu foi o senador-cantor Eduardo Suplicy, que, ao lado do escritor local Ferréz, declamou a longa Um homem na estrada, dos Racionais MC’s, e arrancou aplausos acalorados de quem passava por lá.
Uma semana depois… O telefone toca na redação.
- Oi Kátia. É o Supla.
- O que você manda?
- Queria saber se está tudo bem. Curtiu o show e tal?
- Pode ficar tranquilo, a nota vai sair na Trip de maio
- Pô que bom…
E o resto é silêncio.
Ukrainian Fashion Week
Maio 14, 2008
Sim, a Ucrânia também tem uma semana de moda organizada. Há dez anos. Com patrocínios de empresas como BMW, Avon, Visa e estilistas que seguem uma linha Londres, NY, menos sofisticada do que Paris. E olha que a independência do país só aconteceu em 1991.
Confira alguns destaques da última edição abaixo e clique aqui para saber mais sobre o evento caso saiba ler em ucraniano. Ou aqui para uma opção globalizada.

Serge SMOLIN for В«IDoLВ» : fall/winter 2008


Valeriy Dekorsar : fall/winter 2008

Valeriy Dekorsar : fall/winter 2008

Yulia Geras\’ko : fall/winter 2008

Natalya Kamenska / Olesja Kononova : fall/winter 2008
Laura Marling’s new video
Maio 10, 2008
Laura Marling (de visual novo) lança o vídeo de Cross Your Fingers/ Crawled Out Of The Sea. É bonitinho, mas eu prefiro os outros todos da moça.
Abaixo, a mesma música ao vivo.
O último bandoneón
Maio 10, 2008

O documentário “O último bandoneón“, que estréia hoje (dia 9), tinha tudo para ser um filme chato. Fala de um instrumento nada pop, de um tipo de música que na nossa cultura cheira a mofo e ainda é produzido pelos nossos queridos hermanos argentinos. Mas o diretor Alejandro Saderman foi sábio e sensível o suficiente para não deixar a peteca cair. Acertou no ritmo – com leves pitadas de humor – nas personagens que conduzem o filme e no belo repertório musical. O filme traça um panorama atual do tango através da história da musicista Marina Gayoto, que mais parece ter saído de uma banda de punk rock. A garota deseja fazer parte da orquestra do renomado maestro Rodolfo Mederos, mas apesar do talento, não possui um instrumento em boas condições. O professor sugere que ela busque um Double A – um Stradivarius dos bandoneóns – e durante essa jornada, ela entra em contato com antigos músicos, milongueiros e artesãos que mostram porque o tango ainda é a única coisa que nossos vizinhos não roubaram da Europa.
Curiosidade: Apesar de ser um dos símbolos da Argentina, o bandoneón nasceu na Alemanha por volta de 1850 para substituir o órgão em festas religiosas. Em 1900 ele chega na Argentina pelas mãos de um marinheiro e por razões desconhecidas é utilizado para tocar o tango, um ritmo marginal, em bares e prostíbulos nos arredores do porto.
Puro sangue alemão
Maio 9, 2008
A matéria prima da artista plástica alemã Iris Schieferstein é a mesma há anos. Ela mistura partes de animais mortos com materiais comuns e transforma o conjunto em novas criaturas. Alguém encara colocar essas lindas botas pra correr novamente?

Cans Festival 2008
Maio 6, 2008

Nos dias 3, 4 e 5 de maio aconteceu em Londres o Cans Festival, um evento de stencil que contou com artistas do gabarito de:
Bsas Stencil, Run Don’t Walk, James Dodd (dlux), Tom Civil (civilian), Vexta, Prism, Daniel Melim, Altocontraste, Bandit, Roadsworth, 3D Del Naja, Artiste-Ouvrier. Blek, Sten, Sadhu, C215, Lucamaleonte, Lex, Orticancvoodles, Kaagman, Dolk, Pobel, M-City, Vhils, Btoy, Coolture, Schhh, Borbo, Sam3, Faile, Eine, John Grider, Logan Hicks, Pure Evil, Dot masters, Dan, Eelus.
Organizado pelo misterioso artista de rua Banksy – cujo rosto nunca foi visto – o Cans é totalmente gratuito e colaborativo. Os artistas convidados incentivam o público a transformar espaços sem vida em verdadeiros oásis artísticos. Confira:





