O último bandoneón

Maio 10, 2008

O documentário “O último bandoneón“, que estréia hoje (dia 9), tinha tudo para ser um filme chato. Fala de um instrumento nada pop, de um tipo de música que na nossa cultura cheira a mofo e ainda é produzido pelos nossos queridos hermanos argentinos. Mas o diretor Alejandro Saderman foi sábio e sensível o suficiente para não deixar a peteca cair. Acertou no ritmo – com leves pitadas de humor - nas personagens que conduzem o filme e no belo repertório musical. O filme traça um panorama atual do tango através da história da musicista Marina Gayoto, que mais parece ter saído de uma banda de punk rock. A garota deseja fazer parte da orquestra do renomado maestro Rodolfo Mederos, mas apesar do talento, não possui um instrumento em boas condições. O professor sugere que ela busque um Double A - um Stradivarius dos bandoneóns – e durante essa jornada, ela entra em contato com antigos músicos, milongueiros e artesãos que mostram porque o tango ainda é a única coisa que nossos vizinhos não roubaram da Europa.

Curiosidade: Apesar de ser um dos símbolos da Argentina, o bandoneón nasceu na Alemanha por volta de 1850 para substituir o órgão em festas religiosas. Em 1900 ele chega na Argentina pelas mãos de um marinheiro e por razões desconhecidas é utilizado para tocar o tango, um ritmo marginal, em bares e prostíbulos nos arredores do porto.

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