Supla no Capão Redondo, antes e depois
Maio 14, 2008
Adoro artistas que são seus próprios assessores de imprensa. O dia que o Supla desistir de cantar, já tem emprego garantido. Olha só:
O telefone toca loucamente na redação. Estou ocupada, não quero atender. Mas o barulho continua…E continua…
-Oi Kátia, é o Supla tudo bem?
- Tudo certo, e você?
- Tudo bom. Seguinte, eu participei de uma matéria de vocês aí sobre comida, mas eu acho que tenho coisas mais interessantes pra falar. Novidades.
- A é? Como o quê?
-Eu e meu irmão temos um projeto.
- Isso não é novidade. Tô sabendo do Brothers of Brazil.
- A é? Nós fizemos uns shows na Europa e EUA. Foi ótimo. E amanhã vamos tocar no Capão Redondo antes de ir a Paris.
- Opa… Melhorou. Quer dizer…hahahaha Melhorou?
- Vamos fazer um show grátis num boteco. Não quer ir com a gente?
- Para Paris?
- Pro Capão.
- Boteco no Capão? Fechado.
E foi assim:
Bossa’n’roll
Supla e o irmão João levam o projeto Brothers of Brazil para o Capão Redondo – e sobrevivem às brigas no caminho, à platéia exigente e ao grand finale com papai Suplicy
Três dias antes de embarcar para um show em Paris e a caminho do Capão Redondo (na extrema zona sul de São Paulo) no fim de tarde de um sábado chuvoso, Supla e o irmão bossa nova João Suplicy não paravam de discutir. “Você esqueceu de pegar o CD de abertura do show, asshole”, bufava o punk. “Desculpa, eu estava atrasado”, respondia João em tom manso. O estilo quase oposto dos dois é o segredo do projeto Brothers of Brazil, formado no fim do ano passado, quando a dupla viajava por Londres. “Fomos ver o show dos Sex Pistols juntos. Acredita que esse louco não gostou?”, lembra Supla enquanto coloca Tom Jobim para tocar no carro. A banda já se apresentou em diversas cidades dos EUA e agora volta à Europa, onde já tem diversos shows marcados.
Naquela noite, no Rock Bar Capão – onde uma placa avisa ser proibido tocar pagode e axé –, eles usaram apenas violão e bateria. Apresentaram bossas nervosas inéditas, compostas pela dupla em uma mistura de inglês e português, Jorge Benjor e até Ramones, totalmente na faixa, para uma pequena multidão que se espremia até a calçada e cantava junto hits como “Japa girl”. No fim da noite, quem apareceu foi o senador-cantor Eduardo Suplicy, que, ao lado do escritor local Ferréz, declamou a longa Um homem na estrada, dos Racionais MC’s, e arrancou aplausos acalorados de quem passava por lá.
Uma semana depois… O telefone toca na redação.
- Oi Kátia. É o Supla.
- O que você manda?
- Queria saber se está tudo bem. Curtiu o show e tal?
- Pode ficar tranquilo, a nota vai sair na Trip de maio
- Pô que bom…
E o resto é silêncio.
Maio 14, 2008 às 6:49 pm
sucesso absoluto.
Maio 14, 2008 às 8:04 pm
kaguei!!
Maio 14, 2008 às 9:00 pm
vc merece ir pro céu.
bem, para quem deu carona para o Supla cover, né, eu espero de tudo. hahaha
Junho 3, 2008 às 11:50 pm
[...] Tão ta, né! Fica a dica para os promoters. É por isso que eu digo: Ai que saudade do Supla! [...]
Junho 12, 2008 às 3:10 am
Adoro o Supla, acho ele super original e não faz a “modinha da mídia”. nada de créu….