Garotos de Ipanema

Abril 30, 2009

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No começo do ano o fotógrafo e querido amigo Vavá Ribeiro deixou sua casa em NY para curtir o verão carioca e começar o projeto de seu primeiro livro. A idéia era montar uma barraca/estúdio na mais famosa praia brasileira e clicar jovens que fazem das areias sua segunda casa. Além disso, queria também tentar traçar um panorama geral do pensam, gostam e desejam esses novos garotos de Ipanema. E foi para essa parte do trabalho que ele me convidou. Durante uma semana, entrevistamos e clicamos com os pés na areia. Para escalar os figuras retratados, contamos com o olhar apurado da produtora Patrícia Haddad. O livro ainda está no forno, mas um aperitivo já pode ser degustado aqui.

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Santo Domingo STYLE

Abril 29, 2009

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Otto Stupakoff – RIP

Abril 28, 2009

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by Rui Fraga

Há alguns anos, na minha primeira semana se trabalho na Vogue, em São Paulo, resolvi tomar um café. Ao lado da mesa estava um senhor grisalho, cavanhaque, camisa bege. Dei bom dia, e ele puxou papo. Em um certo momento, ele manda:

- Você é nova aqui?
- Meu segundo dia.
- Produção?
- Reportagem
- Você tem a boca de uma francesa que eu conheci há muito tempo. Com a pinta e tudo. Posso fazer um retrato seu?
- Ai desculpa, tenho que voltar pra minha mesa, estou esperando uma ligação. (Tradução: Nossa que velho louco tarado! Deve ser do financeiro…)

A resposta virou piada. Eu não sabia, mas o “velho tarado” era Otto Stupakoff, de quem eu conhecia muito bem o trabalho, mas não o rosto. Nunca me perdoei pelo ‘não’, e passei o resto dos anos tentando emplacar uma entrevista com o cara nos veículos nos quais trabalhei. Além, claro, de um pedido de retrato pra guardar na gaveta. Mas às vezes a vontade de entrevistar alguém não garante a publicação do material. Para Otto (1935-2009) , por quem eu jamais serei fotografada e a entrevista que eu nunca vou fazer, ficam meu luto e admiração.

Para conhecer mais sobre o trabalho do homem conhecido como o pioneiro da fotografia de moda no Brasil, mas que foi muito mais do que isso, recomendo o livro Otto Stupakoff (Cosac Naify, 2006)

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Luiza Sá além do CSS

Abril 26, 2009

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Quando não está com guitarra ou baquetas em mãos, a CSS Luiza Sá faz barulho com os clicks que dispara de seu terceiro instrumento, a máquina fotográfica. O que antes era brincadeira de família virou coisa séria. Com parte do material fotográfico organizado e junto com mais duas artistas, ela expôe pela primeira vez na galeria Gorker e, de NY, bate um papo sobre seu trabalho fora dos palcos.

Quem são as outras artistas e qual a ligação do seu trabalho com o delas?
A Cris Leone foi minha colega na FAAP e é como uma irmã pra mim. Ela mudou-se pra Austrália em 2007 e em 2008 quando eu fiz tour por lá ela veio comigo pra Melbourne para el fazer mais arte. Numa festa uma garota fotografou a gente e ficamos amigas. Essa garota era a Hana Davies. Mantivemos contato e começamos a falar de projetos e trocar fotos durante uns 9 meses. Ela falou da Gorker pra mim e começamos a fazer planos. O trabalho da Hana é foto e o trabalho principal dela são colagens feitas com Polaroids SX70. Acho que temos uma ligação forte no assunto que fotografamos e eu também trabalho com filme. A Cristine também tem um trabalho super forte de vídeo instalação no qual ela usa o próprio corpo. Acho que os 3 trabalhos (incluindo o meu) são bastante femininos, no sentido de que olhamos o mundo e retratamos esse olhar feminino no trabalho.

Você fez artes plásticas na FAAP. Chegou a terminar ou o sucesso do CSS interrompeu as coisas?
Interrompeu mas eu pretendo terminar porque eu adorei esse curso (não cem
por cento dele, mas a maioria) e porque só faltava um semestre!

Como começou a sua ligação com a fotografia? Você também transita pela pintura, escultura, etc…?
Sempre gostei de tirar fotos e amo arte. Não pintura, mas sempre fiz muito desenho, aquarela, e sempre amei música e cinema. São coisas diferentes mas que estão no mesmo lugar. A câmera que eu uso até hoje é a câmera que era do meu pai e ele comprou no final dos anos 70. Ele me deu uma câmera quando eu era criança e tirar fotos sempre foi uma coisa que dividi com a minha irmã. Ela me ensinou a colocar o filme na minha Nikon (que roubamos do meu pai) e eu comecei a fazer fotos. Foi completamente intuitivo.

Esse trabalho foi pensado para uma exposição, ou você editou material que habitualmente já registrava nas suas andanças?
A edição das fotos surgiu naturalmente de trabalho que já existia. Teve uma foto na exposição que foi uma coisa que eu fiz para a exposição e é bom poder trabalhar com uma intenção, mas normalmente meu trabalho é constante porque é registrar a minha vida. Por viajar muito eu não imprimo muitas fotos, eu fico só escaneando, e acho que isso é um problema agora. Estou tentando mudar isso.

Tem nomes de artistas para indicar? Conheceu gente boa durante as viagens?
Quando eu comecei a tour tentei fazer tudo ao mesmo tempo e isso me deixou meio louca porque viajar e trabalhar viajando são coisas completamente diferentes. Viajar trabalhando numa coisa que faz você lidar com tanta energia e tanta gente é mais pesado ainda. Sinto que a fotografia me protegeu do mundo. Poder carregar uma câmera e olhar tudo e entender o que aconteceu durante esse anos foi muito importante pra minha saúde mental. A câmera enxerga coisas que nós não enxergamos. Eu conheci bastante fotógrafos que vieram nos fotografar. A Roberta Ridolfi, Miguel Villalobos, Nick Knight e outras pessoas também. Muita gente jovem também fazendo coisas boas. Não estou conseguindo lembrar muito agora mas colaborei pra revistas de pessoas que conheci trabalhando, tipo a Apartamento (apartamentomagazine.com) e a Pig.

Você é a fotógrafa oficial das turnês do CSS ou não existe a preocupação de registrar o trabalho com a música? Alguém da banda não gosta de ser fotografado?
Acho que meu lado fotógrafa já existia antes da banda começar e eles sempre foram fotografados por mim então eles já estão acostumados. Não é um assunto. Eu não gosto de fotografar ninguém num momento completamente frágil, a não ser que eu consiga mostrar a beleza disso, mas prefiro manter uma amizade do que uma boa foto, apesar de saber diferenciar uma coisa da outra de uma maneira não pessoal. Acho que eu não poderia ser uma fotojornalista. As pessoas da banda acabam sendo muito fotografadas, mas é porque essa é a minha vida e não porque estou tentando fazer fotografia de música. Eu não sou oficial de nada. Muitas vezes usamos minhas fotos pra várias coisas, mas se for pra mostrar a banda inteira eu sempre fico faltando nessas fotos. O Adri no começo ficava mais duro, mas depois de 2 anos (ou 5 anos!) qualquer um esquece e desencana. É bom “quebrar” alguém com o tempo. Acho que hoje eles confiam em mim e sabem que eu vou retratar todos eles com amor.

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Pelo que eu vi a exposição envolve um universo muito feminino. Qual a temática? Existe uma musa no seu trabalho? Uma figura feminina que te inspire?
Acho que pode ser até um homem, acho bom usar a palavra feminino e não a palavra MULHER. Feminino no sentido de que você pensa no outro, você olha além de si mesmo e isso inclue olhar a si mesmo. Eu tenho várias figuras
femininas que me inspiram desde minha mãe e minha irmã, a todo mundo que está a minha volta. Ao mesmo tempo eu vejo muito dessa mesma energia nos homens. Acabou que quando editamos a exposição, tínhamos todas essas fugiras femininas e isso aconteceu naturalmente. O conceito chegou depois do trabalho. Acho que talvez estivéssemos tentando retratar a figura da mulher de uma forma mais real do que já foi feita antes.

O que veio antes? Guitarra, bateria ou máquina fotográfica?
A bateria foi só um freela que aconteceu! Nunca tive uma bateria então não deu pra crescer em nada. Acho que a câmera e a guitarra chegaram na mesma hora porque eu tenho um violão desde que eu tenho 8 anos e eu lembro da minha primeira canon point and shoot bem tosquinha (na verdade era da minha irmã mas ela sempre emprestou), que até que funcionava e eu levei pra Ubatuba e tirei um monte de fotos com a minha irmã que eu amo até hoje.

Você lembra da primeira foto que tirou na vida?
Não exatamente, mas lembro da época que descobri o que era tirar foto e eu tinha uns 8 anos, quando eu tinha minha própria câmera e podia sair fotografando sem ninguém controlando. Meu pai sempre teve câmeras e telescópios e coisas do tipo. Meu avô vivia fazendo vídeos da família e eu era louca pra filmar mas ele não deixava. Tem um vídeo de eu brigando com ele pra filmar.

Se a banda acabar, acha que gostaria de viver como fotógrafa?
Não sei porque a minha fotografia não é nem um pouco comercial e eu nem sei se conseguiria viver dela. Eu estou fazendo as coisas que eu gosto e elas estão acontecendo e foi assim com a banda também. Acho que se a banda acabar eu penso nisso mas agora eu não passo muito tempo pensando assim. Talvez eu devesse mas eu prefiro viver o agora.

Alguma chance de expo no Brasil?
Estou fazendo mais coisas com as minhas fotos, colaborando com mais publicações pelo mundo. Vou estar numa coletiva aqui em Philadelphia que depois vem pra Nova Iorque mas não tenho nenhum plano de exposição no Brasil. Eu quero muito sentar um dia com o Edu Brandão e mostrar minhas fotos. Ele foi um dos meus primeiros professores que realmente me ensinou a enxergar o mundo fotográfico (da arte).

Quem você gostaria de fotografar?
Boa pergunta. Acho que eu gostaria de fotografar a Isabelle Hupert, o cast de Twilight, John Waters, Pj Harvey, Kate Bush, Gwen Stefani, Patti Smith e alguns atores e às vezes eu queria pedir pra fotografar gente na rua mas eu não consigo fotografar estranhos. Talvez se eu começar a pagar pessoas funcione. E continuar a fotografar os meus amigos, porque pra mim quanto mais tempo melhor.

Algum ídolo na fotografia?
Vários. Nan Goldin, William Eggleston, Richard Avedon, Larry Clarck, Imogen Cunninham, Sally Mann, Juergen Teller…

Qual sua câmera predileta? Usa digital?
Eu não consigo fazer fotografia digital. Não quero soar estúpida e fechada, mas eu quase acho pior, acho que faz o mundo ser mais feio mas provavelmente alguém pensou isso da fotografia um dia. Tem gente que trabalha bem com digital, não eu. Meu problema maior está na qualidade das cores, do grão e da “atmosfera”. Pra mim é quase outra mídia. Eu sinto o mesmo com o vídeo versus filme, mas de novo, tem gente que trabalha super bem com vídeo, não eu. Na faculdade meus vídeos eram ridículos e quando eu fiz meu primeiro super 8 eu já cheguei bem mais longe. Essa conversa é super comprida…

Eu tenho várias câmeras. A que eu mais uso é a Nikon F. Eu tinha uma Leica
M6, que foi a câmera mais incrível que eu já tive mas eu perdi e foi um trauma. Eu adoro a Leica minilux, que é uma compactazinha incrível, eu gosto da Holga pra coisas específicas e também estou usando uma contax G2. Pra capa do Donkey eu quis fazer médio formato e emprestei uma Hasselblad, eu ainda vou comprar uma Hassel. Ah, esqueci mas eu uso muito câmeras descartáveis, é bom porque é meio trash mas tem muito caráter. É um pouco limitado mas é bom desconstruir tudo. De qualquer forma eu gosto da lente 28mm. Gosto mais de wide mas não tão wide tipo a 21mm.

E a banda? Em que fase vcs estão? Tocando, compondo, na estrada?
Estamos na fase férias, depois de 5 anos de trabalho constante que incluem essas três coisas que você mencionou. Na verdade temos cinco shows marcados agora pelo mundo e infelizmente nenhum no Brasil. Vamos começar a
compor lá pelo segundo semestre.

Qual o momento mais aguardado do verão por aí? Algum festival, algum
país específico onde planejam tocar…

Vamos fazer poucos shows esse ano mas todos parecem ser incríveis. Temos um em Portugal mês que vem, depois o festival ALL TOMORROW’S PARTY na Inglaterra, que teve curadoria dos Breeders e além de ser um festival incrível, ter os Breeders chamando a gente pra tocar foi a cereja do bolo. Depois vamos tocar na Polônia, que nunca fomos e eu quero muito conhecer. A mesma coisa Marrocos, tocar na Africa pela primeira vez. Depois em
agosto fechamos o verão em um dos nossos lugares preferidos: Japão.

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Direto da Cidade Colonial da República Dominicana, um pouco de moda de  rua:

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Vai soar estranho. Mas quando alguma coisa grande acontece na minha vida eu sento e escrevo uma carta para o meu filho. Eu ainda nem tenho um, mas quando ele crescer vai ganhar uma pequena pilha de rabiscos que guardo desde os 14 anos. Uma espécie de melhores (e piores) momentos da minha vida. A última delas foi escrita na semana passada, em NY, e ficou assim:

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Na semana passada tive o prazer de ver o compositor Angelo Badalamenti tocar a música tema da série Twin Peaks, ao piano, em pleno Radio City Music Hall. A experiência foi tão bonita, que fiquei curiosa para saber como tinha sido o processo de composição da famosa trilha para David Lynch. A resposta está abaixo:

NY – Street food STYLE

Abril 14, 2009

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Thurston Moore pergunta

Abril 13, 2009

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Alguém aí gosta de Sonic Youth? Bom, se a resposta for sim, comece a cruzar os dedos. Durante uma cerveja com Thurston Moore, em NY, o cara deixou escapar que existe uma boa chance de tocar no Brasil ainda esse ano. Disse também que acaba de voltar do Chile,  e que adora o hábito de beijar as pessoas para dizer olá e tchau. “Voltei aos EUA beijando todo mundo!” , brincou.

Abaixo, um vídeo feito especialmente para esse blog, no qual ele pede ajuda para esclarecer algumas dúvidas sobre o Brasil. Bora ajudar o cara?

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