Jacques Vabre - A F1 da Vela

Novembro 26, 2007

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Eu também achava que a vela era um esporte chato, confesso. O preconceito foi por água abaixo quando a convite da Regata Jacques Vabre, uma prova que sai de Le Havre, na França chega a Salvador eu conheci os skippers da categoria ORMA. Estranho ter que explicar essas coisas em um país com um litoral gigante e condições climáticas tão incríveis quanto as nossas, mas o fato é que temos cultura de mar zero por aqui. A classe é o que podemos chamar de F1 da Vela, devido a rapidez dos veículos ( eu, de lancha ao lado deles, não conseguia acompanhar a velocidade, que sem motor, chegava a 47 nós). Barcos multicasco chamados trimarãs como o da foto acima, que custam na faixa de três milhões de euros cada, sem falar no salário dos “pilotos” e e na grana de manutenção, uma bagatela de quase dois milhões. Ao contrário do Brasil, no velho continente o evento é um acontecimento de grande porte. Mobiliza centenas de espectadores, mídia e grana de patrocínio. Muita grana. Os dois malucos por equipe que resolvem cruzar o Atlântico a bordo dessa supermáquina quase não se falam durante a travessia. Cada um fica de um lado da embarcação e a comunicação é feita por fones via satélite. O barco nunca pára, salvo em emergências e para que eles possam comer e dormir, trabalham em sistema de rodízio. A cada duas horas, um deles comanda a vela. Quando o tempo acaba, quem está no comando toca uma campainha, que acorda o parceiro no interior do casco principal. Tudo isso durante uma média de 12 dias seguidos. O Senna do esporte é o francês Franck Cammas, que já ganhou a competição três vezes em cinco edições. A regata tem no total 4.335 milhas, aproximadamente oito mil quilômetros, e envolve, além da ORMA, as classes IMOCA, Monotipos Classe 2, Open 50 e Classe 40. O trajeto é chamado de Rota do Café, pois os velejadores percorrem o trajeto entre a França, principal importador do produto, e o Brasil, maior produtor e exportador do grão.