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Festival Canavial – parte 2

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Vem comigo. Volta pra Pernambuco. Pega a estrada que sai do aeroporto de Recife e sente o cheiro de cana durante o percurso em direção a zona da mata. Desligue o som do carro. Escute a mistura de sons que vem daquele verde. Uma cana batendo na outra, centenas delas, milhares. Parece um som de mar. E ainda tem o barulho dos grilos que se mistura com a cantoria de um cortador que caminha descalço, no acostamento, enxada na mão. O festival começa assim. O dia nasce antes das cinco da manhã por lá. O povo trabalha desde muito cedo e ás 19h já começa a chegar no sítio que recebe a festa itinerante, o Canavial 2007.

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O primeiro dia é mais voltado para os moradores locais. Uma espécie de incentivo aos projetos sociais que já salvaram muita criança do trabalho infantil e da prostituição. O assunto por lá não é brincadeira. Meninas que deveriam estar pulando amarelinha (as crianças ainda fazem isso?) se jogam na vida em troca de 4 reais.  Alguns projetos oferecem a mesma grana que elas faturam na labuta errada, para que os pimpolhos vivam a cultura local e produzam música, dança, literatura, fotografia, fantasias etc… A mais famosa das brincadeiras é o Cavalo Marinho, que faz parte da cultura Pernambucana e se você conhece, deve ser do carnaval.

Ônibus e mais ônibus lotados de brincantes chegam numa animação de dar inveja. Olha só:

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O segundo dia começou em ritmo de palestras, debates e rodas de discussão sobre os rumos da cultura e as raízes populares pernambucana. Os mestres de ciranda, maracatu etc… dialogavam com historiadores, produtores culturais e jornalistas. E a coisa foi acalorada. O principal ponto de discórdia, que silenciou os mestres da roda e fez professores se exaltarem foi a origem do maracatu.

 Quanto tem de africano, de índio e de português. Ficou claro que o papo estava teórico demais para quem comanda o processo. Mas lógico, tudo acabou em batuque. Durante a noite, o sitio foi invadido por brilhos e cores de todos os tipos. Brocados, lantejoulas, miçangas e fitas envergonhavam pobres mortais como eu que usavam all star e vestido de algodão sem uma gota de purpurina. O que eu confesso, não durou muito tempo… Até coroa de princesa do maracatu eu ganhei. Sente a nobreza do povo!

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Fica por aqui….Amanhã tem mais.

 

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