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Romântico defeituoso

Prestes a lançar seu primeiro CD solo, Eu menti pra você, que sai no começo de 2010, Karina Buhr fala de sotaque, influência alemã e teatro.

Conte um pouquinho da sua história. Onde vc nasceu?
Nasci em Salvador e fui morar em Recife com 8 anos. Comecei a tocar e cantar em 94, no Maracatu Piaba de Ouro e no Estrela Brilhante. Depois veio o pastoril do Véio Mangaba, a banda Eddie, a Comadre Fulozinha, Bonsucesso Samba Clube, DJ Dolores. Fiz também participações em CDs e trilhas de peças e filmes como A Máquina, de João Falcão, Deus é Brasileiro e Narradores de Javé. Em 98, Zé Celso viu um show da Comadre Fulozinha, em Recife e rolou o convite pra fazer a peça Bacantes. No fim de 2003 vim pra fazer todas as peças dos Sertões e fiquei até hoje.

Ficou dividida entre a música e o teatro?
Saí do Teatro Oficina depois da turnê de Os Sertões, pra me dedicar a levantar os arranjos das músicas novas, começar a fazer shows e gravar o trabalho solo, não sem antes fazer o terceiro CD da Comadre Fulozinha, que já estava esfriando na cabeça.

O sotaque é de onde?
Quando morava em Salvador (terra do meu pai) passava as férias em Recife (terra da minha mãe) e quando fui morar em Recife as férias eram em Salvador. Quando o sotaque estava se moldando num lugar, lá ia eu pra outro, o que resultava numa mangação eterna do meu jeito de falar.

E hoje, onde é a sua casa? Moro em São Paulo há quase 6 anos.

Sempre soube que queria ser cantora?
Não. Adorava cantar, mas queria mesmo era fazer teatro e cinema. Porém cinema nessa época não era assim tão simples. Dava até vergonha de dizer que queria fazer…Vi muito mamulengo e cavalo marinho quando era criança, vi umas coisas bem bonitas de João Falcão. Na verdade João dirigindo é tão incrível que fazer comercial de liquidificador com ele era bom, foi meu cinema. Depois passei a tocar percussão e cantar ao mesmo tempo, no carnaval, que é uma das grandes alegrias da minha vida.

Já trabalhou em outras áreas?
Só com tambor, garganta e requebrado.

No seu CD tem trechos de músicas em alemão. Você fala a língua?
Hoje não falo muito não. Me comunico, entendo razoavelmente bem, escrevo meio erradinho mas o povo lá entende. É questão de criar vergonha na cara. O alemão vem da família da minha mãe, que por sinal é uma professora incrível de alemão, mas santo de casa é santo de casa…

Já morou lá? Passei 7 meses em Lägerdorf., um vilarejo perto de Hamburgo. Foi entre 1989 e 1990. Justamente quando o muro caiu, que por sinal, foi um momento muito forte na minha vida.

Foi influenciada pela música eletrônica da época?
Gosto da sonoridade, mas sou bem leiga no assunto. O que posso dizer a respeito, é que gosto muito do Kraftwerk e do pouco que conheci do Chromeo, mas não acho que tenho influência direta disso. Acho que influências se diluem, se misturam com outras e não aprecem necessariamente de forma clara. Mas tenho vontade de comprar uns brinquedinhos eletrônicos pra começar a usar tanto pra fazer músicas como pra dar um temperinho no show.

Tirando o sotaque, você não é exatamente o estereótipo de cantora da “turma do Recife”, essa geração que teve um boom por aqui, com uma pegada mais regional. É difícil escapar do esteriótipo?
As pessoas dessa geração a que você se refere são os amigos com quem eu tocava junto. Existe uma ligação grande, mas acho que a questão toda é justamente isso de estereótipo. Normalmente os sotaques do Rio e o de São Paulo são tratados como normais e os dos outros como exóticos. É só uma questão de ponto de vista. Tenho trabalhos bem diferentes entre si, talvez isso me ajude a ficar um pouco fora da prateleira a que eu estaria fadada.

Quais as influências mais presentes na sua carreira? São muitas, mas talvez o carnaval seja a mais presente, não só pelos ritmos, mas pela loucura, pela liberdade, pelo colorido…

Se pudesse escolher um músico para dividir o palco por uma noite, quem seria? Já rolou! Gigante Brazil e Chico Science.

Tem algum apelido para o tipo de som que você faz? Romântico defeituoso.

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