arte, fotografia
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.Dois anos sem Dash Snow.

No dia 13 de julho de 2009, o artista Dash Snow foi encontrado morto em um quarto de hotel em Manhattan. A causa -clichê- overdose. Assim como Basquiat, e tantos outros jovem geniais, ele tinha 27 anos. Poucos dias antes de seu aniversário, um leonino passional do dia 27 nascido em 1981, ele já era considerado um dos ícones dessa geração.

Dash começou no mundo das artes de uma forma inusitada. Grafiteiro conhecido como SACE, ele participou do coletico IRAK e deixou sua marca por toda NY. Para investigar o que acontecia nas noitadas das quais o adolescente não conseguia se lembrar (ele sofria de DDA – e bebia), ele começou a usar uma Polaroid, câmera com a qual registrava suas andanças. O resultado, foram imagens com um calor  juvenil, alternativo e rebelde, com todas as questões que um adolescência pode ter. Sexo, drogas, dinheiro, violência, pornografia e glamour também eram seus temas favoritos, mas de alguma forma, Dash conseguia transformar aquele universo decadente em belas imagens. O efeito é algo similar ao trabalho de Nan Goldin e Richard Billingham, fresco e real.

Apesar de jovem, Dash realizou trabalhos em diversas plataformas além da fotografia, como colagem, fanzines, vídeo e instalações. Casou-se aos 18 com uma italiana, mas foi com com Jade Berreau, por quem declarava seu amor incondicional em diversas entrevistas, vídeos e trabalhos que se realizou. Com ela, teve a filha Secret, que o fez despertar para o tipo de vida que levava. “Só prestei atenção no tempo que gastei com a bebida e as drogas e em quanta sujeira havia no meu apartamento quando Secret passou a engatinhar. Percebi que nada era mais importante do que passear com minhas garotas e fazer arte”, disse certa vez. Mas já era tarde demais.

Antes de morrer, Dash telefonou para Jade, que estava almoçando com uma amiga para conversar sobre os problemas do marido com as drogas. “Goodbye. I love you. I’ll see you in another world”, foram suas últimas palavras. Chamado de “Baudelaire de downtown Manhattan”, o trabalho do fotógrafo é hoje referência da cena jovem e artística da NY do século 21. Assim como o poeta francês, Dash morreu cedo, deixou uma obra significativa e vinha de uma família muito rica. Neto de aristocratas franceses, seus familiares eram donos de uma das maiores coleções de arte dos EUA, com um acervo pessoal que incluia nomes como Picasso, Magritte, Ernst, Duchamp, Jackson Pollock, Willem de Kooning e Rothko. Brigado com os pais, ele passou parte da adolescencia em um colégio para delinquentes juvenis. Fugiu, viveu nas ruas de NY até ser encontrado pelos avós, de quem recebeu dinheiro por um tempo. Os amigos dizem que não era muito, mas o suficiente para sobreviver. Sobraram as fotografias, e um Segredo.

Com a mulher Jade e a filha Secret, suas paixões retratadas em dezenas e dezenas de trabalhos.


Dash e Secret

O painel é uma homenagem da dupla brasileira osgemeos para o artista em NY.

2 Comments

  1. madoka says

    kátia,
    que lindo post, amei! thanks, pois sem o seu post não saberia que existiu um Dash na vida, amei de montão o seu texto.
    bjs
    madoka

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